Flagra

Chloe

Acordei com o barulho de chuveiro e abri os olhos. Percebi que estava no quarto de hotel e me lembrei de Emma dizendo que alugou um quarto para não irmos embora bêbadas. Sorri e achei que era Emma quem estava tomando banho.

Levantei, ia dar um susto nela. Percebi que estava nua e vi uma mancha roxa próximo ao meu seio.

— Merda. Vai aparecer no decote do vestido. Mamãe vai ter que passar base e esconder essa pancada.

Tentava me lembrar quando foi que fiz aquela porcaria em minha pele, até que vieram flashes de memória de um homem beijando meus seios. Balancei a cabeça, mas os flashes voltavam sem serem evocados. Eu estava sendo beijada e possuída por um homem que não era meu noivo. E estava gostando muito. Ouvi sua voz gemendo em minha cabeça e levantei desesperada.

— Não, não, não, não, não… — Não adiantava negar para as lembranças irem embora. Foi quando eu vi em cima da mesa: celular, carteira, relógio de ouro. Um copo de whisky com menos de um dedo da bebida âmbar ao lado desses itens masculinos. Olhei em volta e vi roupas jogadas. As minhas e as dele, misturadas. Arregalei os olhos:

— Merda.

Comecei a me vestir apressada, sabia que as lembranças eram reais. Tinha tido uma tórrida noite de sexo selvagem com um desconhecido, e muito provavelmente ele quem estava tomando banho. Não queria nem ver a cara do sujeito, só precisava fugir dali o mais rápido possível e fingir que nada disso aconteceu. Sem querer perder tempo calçando os pés, peguei as sandálias nas mãos, dei mais uma checada para ver se não tinha mais nada meu no quarto. Enquanto estava com as mãos na maçaneta da porta, não queria ver o estranho sair do banheiro. Assim que abri, dei de cara com Brian, que estava levantando o braço para bater, e Emma estava ao lado dele.

Assustada, encarei os dois, e sabia que minha imagem deveria ser péssima. Descabelada, maquiagem borrada, descalça e com as sandálias nas mãos, fugindo de um quarto de hotel.

— Brian, posso explicar…

Brian apenas me passou para o lado e entrou no quarto. Emma e eu o seguimos, e olhamos exatamente para onde ele estava olhando: os itens masculinos que eu já tinha visto e o barulho do chuveiro denunciavam que tinha um homem no quarto comigo. Brian fechou os olhos com força e quando abriu, vi mágoa, fúria, incredulidade neles. Ele se aproximou de mim em duas passadas e pegou minha mão com violência. Nunca o vi nervoso, e acreditava que ele iria me agredir naquele momento. Mas Brian só puxou o anel do meu dedo e saiu.

— O que aconteceu, Chloe? — Emma perguntou assim que ele saiu

— Não sei. Me tira daqui.

— Acho melhor você não ir para casa desse jeito. Papai está furioso.

— Me tira daqui, Emma. Antes que ele saia do banheiro.

— Está bem. Venha.

Emma me levou para o quarto que ela tinha alugado, do outro lado do corredor.

— Eu vou chamar um carro por aplicativo. Vou para casa tentar acalmar nossos pais. Vai tomar um banho, aqui tem roupas para você se trocar. Se recomponha e passe gelo nesse chupão antes de voltar para casa.

— Como Brian soube? E como fui parar lá?

— Não sei. Você bebeu demais ontem, me pediu para te trazer para o quarto. Eu tinha marcado com um gatinho pra depois da festa, deixei você aqui e quando voltei, você não estava. Como suas coisas estavam aqui, achei que você foi dar uma volta e acabei dormindo. Acordei e você ainda não tinha voltado, então me arrumei e estava pronta pra ir te procurar, quando a mamãe me ligou dizendo que Brian estava vindo pra cá, que disseram que você estava dormindo com um cara em outro quarto. Tentei sair pra te socorrer, quando ele adentrou te procurando. O que foi que você fez, mana?

— Não sei. Não sei mesmo. – comecei a chorar e Emma me abraçou.

— Fique calma. Vamos amansar o papai e mamãe e depois resolvemos com o Brian, ok?

Emma saiu, me deixando chorando inconsolada. Eu não entendia de verdade o que tinha feito. Nunca fui dada a beber, muito menos a sexo desregrado. Estive com Brian durante três anos e algumas vezes as coisas realmente esquentaram entre nós, mas eu sempre consegui me segurar. Como assim joguei tudo no ralo, uma noite antes do meu casamento?

Nunca fui covarde, então me levantei, tomei um banho, peguei minhas coisas, fiz check-out no hotel e dirigi de volta para casa. Quando entrei, Emma estava sentada ao lado de Brian em um dos sofás, e minha mãe no outro. Meu pai andava de um lado para o outro, nervoso, com um copo de gin na mão.

Assim que me viu, ele veio até mim e me deu um tapa no rosto. Eu nunca apanhei, aliás, meu pai nunca nem gritou comigo. Mesmo assim, sabia que dei mancada e merecia aquilo.

— Brian é um cara decente, foi um homem bom pra você. Não merecia isso, Chloe.

— Papai…

— Eu te falei que nós precisávamos dessa parceria. Jamais iria abrir mão de um genro perfeito como Brian por causa das suas sem vergonhices. E muito pior, se cancelarmos o casamento, nossa família vai ficar com o nome na lama e tudo pelo que seu avô e sua mãe trabalharam toda a vida, vão ser jogados no lixo. E nunca mais Emma encontra um noivo decente. Viu todo o mal que você causou?

— Papai, me deixa falar…

— Eu não quero ouvir. Não quero nem te ver, Chloe. Você avisou que queria estudar e não se casar. Era só você ter me falado que mantinha sua decisão, e eu dava outro jeito. Não ter destruído toda sua família dessa forma.

— Papai…

— Cala a boca. — Meu pai levantou a mão para me bater de novo, mas Jenny interveio:

— Querido, por favor. Suba, eu vou conversar com ela…

— Não. Eu vou falar. Você queria tanto estudar. Pois suas coisas estão arrumadas. Seu voo é em duas horas. Vai viver sua vida e não volte nunca mais.

— Está me mandando para outra cidade para estudar, papai?

— Não, estou te colocando para fora de casa. Nunca mais quero te ver.

— Eu não vou. Posso morar com a vovó Sophia…

— Porque você é tão bipolar? Nem você sabe o que quer da sua vida. Tudo o que você quer é me contrariar e me envergonhar. Quando eu quis que você se casasse, esbravejou que queria estudar. Depois mudou de ideia e deixou preparar todo o casamento, para fazer essa vergonha. Agora estou te mandando estudar e você quer ficar aqui, pra toda a cidade espiar sua vergonha? Você vai embora.

Meu pai me pegou pelo braço e me arrastou até a porta. Foi a primeira vez que Brian se manifestou. Levantou e o segurou:

— Não, John . Não vale a pena. Por favor, vamos até o escritório comigo.

— Vá querido, por favor, se acalme. Quando vocês voltarem, Chloe já vai ter embarcado, eu prometo.

Notei que minha mala já estava realmente pronta, me aguardando no canto da sala. Brian tirou meu pai de casa, depois de ele me entregar um cheque sem ao menos olhar no meu rosto…

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