Por que Me Casar?

Chloe

Quando falei com meu pai sobre me mudar para estudar, ele muito nervoso conversou comigo, à mesa do jantar, com toda a família presente:

— Você não pode fazer isso comigo, Chloe. O menino Brian vai te pedir em casamento nesse final de semana.

— Gosto muito de Brian papai, e se ele me pedir em casamento, vou aceitar, mas se ele concordar de que minha formação e carreira são mais importantes nesse momento. Somos jovens, temos toda uma vida para formar uma família, mas depois que eu for independente e auto suficiente. Samuel já está providenciando minha matrícula e moradia.

— Você não pode fazer isso. Brian não vai aceitar ficar três anos afastado de você.

— Cinco, papai. Depois tem capacitação e eu pretendo concluir todas as fases antes de voltar para a cidade. E se Brian não aceitar isso, paciência…

— Não. Você não vai. Você vai ficar, se casar com Brian e salvar sua família.

— Salvar minha família? Do que está falando, papai?

— Não me associar à cooperativa de Forman quatro anos atrás foi uma decisão mal tomada. Agora, eles estão prosperando, e quem não se associou não consegue acompanhar. Quase todos nossos clientes estão debandando para a cooperativa. Perdemos mercado, e contratos milionários.

— Mais um motivo para eu estudar, me capacitar e levantar a empresa, papai.

— Não temos cinco anos. Se Forman não nos aceitar nos próximos seis meses, vamos à falência.

— Porque não previu isso antes, papai?

— Eu previ. Estou há um ano em negociação, mas aquele velho gagá disse que não é interessante associar mais ninguém agora.

— Se ele não vai te aceitar de qualquer jeito, qual a utilidade de eu ficar e me casar?

— O velho vai se aposentar. Vai passar tudo para o filho, inclusive a presidência da cooperativa. Mas exigiu que ele se casasse antes, para mostrar respeito, e que não é só um playboy que vai gastar tudo o que o pai construiu.

— Querido, acho que você está exigindo demais de nossa filha. Não pode obrigá-la a se casar para nos salvar.

— Você não entende, Jenny. Não estou sacrificando Chloe. Não é como se estivesse vendendo ela. O menino Brian é louco por ela, trata como uma princesa. Ela acabou de dizer que também o ama. O que custa ela adiantar esse casamento e adiar os estudos por uns dois anos? Até que o menino Brian se estabilize no cargo e ela possa se ausentar da cidade?

Pensei muito na situação do meu pai e da minha família. Pesei meus sonhos e projetos, versus tudo o que eu perderia se não aceitasse ficar. Para mim, dinheiro, riqueza e status não valiam nada. Mas para Emma, com 16 anos, seria a morte ficar sem os seus luxos.

Pela primeira vez na vida, vi meus pais discutindo por quatro dias seguidos. Eu ia completar dezenove anos. Já fazia mais de ano que tinha terminado o ensino médio, Samuel saiu da cidade com a desculpa da faculdade assim que terminamos. Ele conheceu um rapaz de São Francisco e ficaram namorando a distância por um tempo. Quando acabou a escola, o rapaz o convidou a morar com ele e estudar por lá. Samuel agarrou a oportunidade e nem olhou para trás. Não visitava Napa, seus pais que o visitavam. E eu não tinha mais ninguém para conversar. Não era a mesma coisa falar por telefone. E mesmo assim, Samuel foi categórico em chamada de vídeo:

— Pare de loucura, mulher. O que esse velho tem na cabeça de obrigar o filho a se casar assim, do nada, para assumir os negócios que já vão ser dele? Agora ou depois do velho bater as botas. Isso não existe mais, Chloe. Vem pra cá, tem um apartamento lindo e simpático te esperando. Sua avó depositou uma fortuna pra eu arrumar um canto pra você e te ajudar a sobreviver nos primeiros meses, mas a família do Steve vai te arranjar um emprego na própria universidade para você sobreviver. É de puro egoísmo seu pai querer que você abra mão dessa liberdade agora.

Mas eu ainda não estava convencida, e fui conversar com minha avó:

— Nunca vi meus pais brigando, vó. Agora eles vivem aos gritos pela casa. Mamãe não quer aceitar de jeito nenhum que ele atrapalhe meu futuro para me casar. Disse que ele é um troglodita, homem das cavernas.

— Jenny tem meu respeito depois de quase vinte anos. Eu pensei que ela quem exigiria você se sacrificar pra não perder a vida boa, mas vejo que ela está te defendendo.

— Vó, ela me criou e sempre foi muito boa para mim. Te falei milhões de vezes que ela nunca me tratou diferente de Emma. Somos uma família, vó. E meu pai quem está sendo intransigente.

— Chloe. Aquela empresa é muito importante para seu pai. Ela representa todo um trabalho de sua mãe, e seu pai pode ter casado e tocado a vida, mas ele ainda a ama. E se você for honesta, vai perceber que Jenny nunca tratou você diferente da filha dela, mas seu pai sim. Você sempre foi a queridinha dele, a protegida, a amiga. Você mesma me disse que quando pergunta pra ele sobre essa diferença, ele diz que você requer mais cuidado, porque sua mãe morreu e a dela está viva. Emma cresceu tendo tudo o que o dinheiro pode comprar, mas carinho e amor de pai, só você teve. Se ele está te pedindo algo tão sério agora, é porque deve estar desesperado e você é a única saída dele. E como ele te disse, não é como se tivesse te sacrificando. Você mesma expressou o desejo de casar com Brian muitas vezes. Só não está acontecendo no momento que você queria, mas pense se quem está sendo intransigente não é você, abrindo mão do que quer por não ser na hora que quer.

Com esse conselho no coração, no dia seguinte, quando Brian me pediu em casamento, eu aceitei e então começaram os preparativos e todo mundo parecia muito feliz, exceto Samuel, que ficou irritado que além não ir morar perto dele, ainda o obrigaria a visitar Napa em dois meses para ser o meu padrinho…

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