⁷Ponto de Vista de Apolo
Eu quase o matei.
Não foi figura de linguagem, não foi exagero. No exato segundo em que aquele lobo ousou colocar as mãos em Mara, algo dentro de mim se rompeu. Não foi raiva comum. Foi o instinto mais antigo, mais brutal, aquele que nasce antes da razão e da moral. O instinto que diz: proteja a sua companheira ou destrua tudo ao redor.
Senti Arthur reagir no mesmo instante.
O vínculo entre nós vibrou como uma lâmina afiada, e eu soube, sem precisar olhar, que meu irmão estava tão fora de si quanto eu. O rosnado que escapou do meu peito fez as paredes da casa tremerem. Não foi intencional. Foi reflexo. Um aviso primal que ecoou pela alcateia inteira: ela é nossa.
Arthur foi mais rápido.
Ele avançou, arrancando Mara dos braços daquele desgraçado e puxando-a para trás de si, como se o próprio corpo fosse um escudo. Eu dei um passo à frente no mesmo instante, pronto para finalizar o que ele tivesse começado, pronto para rasgar carne, quebrar ossos, ignorar qualqu