Capítulo 151
Manuela Strondda
A cama virou campo de batalha no segundo em que puxei a arma. Preciso admitir, o bonitão é rápido.
Não pensei em mais nada, ou era ele ou era eu. Meu corpo foi antes da cabeça. O metal frio caiu na minha mão como se sempre. Firme e seguro. Meu pulso alinhou sozinho, o dedo encontrou o gatilho, e por um instante eu senti aquela certeza perigosa de quem sabe matar.
Hugo não hesitou.
Ele avançou rápido, sem palavra, sem aviso. O braço dele bateu no meu pulso com força exata — não para machucar, para tirar o controle. A arma saiu da linha, meu braço ardeu até o ombro, e no mesmo movimento o corpo dele colidiu com o meu.
Caímos na cama.
O colchão afundou traidor, me puxando para baixo junto com ele. Minhas costas tocaram o lençol, o ar saiu dos meus pulmões num sopro curto, mas eu não fiquei parada nem um segundo. Girei o corpo, puxei a perna, busquei espaço. Eu não ia ser presa ali.
A raiva queimava quente no peito. Não era medo, era raiva.