Capítulo 177
Manuela Strondda
A família de Hugo era… estranha, e eu não usava essa palavra à toa.
Eu já estive sentada à mesa com inimigos declarados, homens que queriam minha morte e a de papà ou Vini, mulheres que sorririam enquanto planejavam me apunhalar pelas costas. Ainda assim, raramente me sentia apreensiva.
Ali, naquela casa, o frio era diferente.
Não vinha de ameaça direta. Vinha de algo não dito. De algo errado.
O pai de Hugo — Lars — era sério como ele. A mesma postura rígida, o mesmo olhar de líder. Mas havia lapsos. Pequenos buracos na memória que me deixavam desconfortável. Ele havia estado no nosso casamento… e parecia já ter esquecido.
Karl, o mais novo, era calado demais. Não parecia perigoso. Pelo contrário. Gentil. Atencioso. Do tipo que sobrevive porque nunca é visto como ameaça.
Já Emil…
Esse eu não gostei desde o primeiro segundo que o vi em Roma.
Insolente. Provocador. Do tipo que cutuca só para ver sangue. Insuportável.
E então h