Capítulo 178
Manuela Strondda
O vinho era bom. Muito bom.
Aveludado, encorpado, quente na garganta. Mas não foi o gosto que me fez levantar os olhos da taça. Foi a sensação clara de estar sendo observada.
Hugo estava diferente.
Mais atento do que o normal. O olhar não largava o meu rosto por tempo demais, depois descia — lento — até minhas mãos, minha boca, minhas pernas. Em seguida, desviava brevemente… para o corredor por onde Freja havia desaparecido.
E então voltava para mim.
— Está tudo bem? — ele perguntou, baixo.
Inclinei levemente a cabeça.
— E por que não estaria?
Ele não respondeu com palavras. Apenas fez um pequeno movimento com a cabeça e se colocou à minha frente, ocupando espaço como só ele sabia, ficando de croqui. A mão pousou na minha coxa, firme, possessiva demais para ser casual.
— Gosta do vinho? — perguntou. — Você ainda não comentou nada.
Levei a taça outra vez aos lábios antes de responder.
— É bom.
Vi o canto da boca dele se move