Forjar

Capítulo 32

Vinícius Strondda

A dor na cabeça me acordou antes do sol terminar de entrar. Latejava atrás dos olhos como se alguém tivesse esquecido um martelo dentro do crânio. Abri um olho. A casa estava limpa. Limpa demais para o estado em que deixei ontem. Vidro nenhum no chão, móveis no lugar, cheiro de algo… quente. Comida?

Não me lembrava de ter chamado os empregados.

Levantei devagar, tomei um banho e segui o rastro do cheiro até a cozinha. Parei na porta.

Lucia estava de costas, usando outra das minhas camisas — mal abotoada, caindo no ombro — e o cabelo vermelho preso num coque torto, metade escapando, metade preso por pura teimosia. Mexia numa panela como quem negocia com um inimigo.

— Mamma mia… — falei, a voz rouca. — Quem foi que deixou você assumir o fogão?

Ela virou de lado, sem se ofender, só com aquela cara de quem não dormiu: olheiras, mas o queixo em pé.

— Ah, boa tarde. Estou com fome. Eu como muito, Vinícius. E você não chamou a cozinheira
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