Dante
Valentina dormia.
Não era um sono leve. Era o tipo de sono que só chega depois do medo, quando o corpo entende que sobreviveu e, exausto, decide se render por algumas horas. A respiração dela era profunda, ritmada, como se cada inspiração estivesse reconstruindo o que a noite tentou quebrar.
Eu permaneci ali, parado, observando.
Sempre observei pessoas. Sempre soube identificar sinais. Fraqueza. Desejo. Mentira. Mas Valentina nunca foi leitura fácil. Ela não se entrega em detalhes. El