Capítulo 39.
39
FERNANDO NARRANDO:
O gosto de sangue ainda estava na minha boca quando entrei no apartamento.
Cada passo doía. O maxilar pulsava, o estômago ardia onde aquele desgraçado tinha acertado o soco. Mas a dor física não era nada comparada ao ódio que me consumia por dentro. Aquilo queimava. Subia pela garganta. Apertava o peito. Eu não tinha perdido. Ainda não.
Bati a porta com força atrás de mim.
— Fernando?!
A voz da Carolina veio apressada da sala. Quando ela me viu, arregalou os olhos e correu na minha direção.
— Meu Deus… o que aconteceu com você? — as mãos dela tremiam quando tocaram meu rosto. — Você tá sangrando!
Eu gemi baixo, levando a mão ao maxilar, encenando a dor como se fosse ainda maior do que já era. Aprendi cedo que dor bem mostrada convence mais do que verdade.
— Não encosta… — murmurei, fechando os olhos. — Tá doendo demais.
Ela ficou pálida.
— Quem fez isso com você, Fernando? Pelo amor de Deus!
Respirei fundo, como se estivesse juntando forças para falar. Dei dois p