GABRIEL CLARK NARRANDO:
Julia deitou no meu colo sem pedir permissão. Foi um movimento lento, cansado, como se o corpo dela tivesse finalmente desistido de lutar contra o próprio peso. A cabeça encontrou as minhas pernas, o cabelo espalhou-se pelo meu terno ainda quente do dia, e por um segundo inteiro eu simplesmente… travei.
Não sou bom com esse tipo de coisa.
Negociações hostis, conselhos de administração, crises milionárias, nisso eu sei exatamente o que fazer. Mas uma mulher ferida, exausta, confiando o corpo inteiro a mim? Isso me desmontou de um jeito que eu não estava preparado para admitir.
Fiquei imóvel.
As mãos paradas no ar, os músculos tensos, a respiração controlada demais. Eu tinha medo de me mexer e quebrar aquele momento frágil. Medo de ultrapassar uma linha invisível. Medo, talvez, de perceber o quanto aquilo significava pra mim.
Julia respirava devagar agora. O peito subia e descia num ritmo mais calmo, mas o rosto ainda carregava marcas do dia: o inchaço leve perto