O silêncio dentro do carro era tão espesso que parecia ter peso. John dirigia com uma mão no volante e a outra apoiada na coxa, os dedos longos batendo em um ritmo impaciente que denunciava tudo aquilo que ele fingia não sentir. Eu observava seu perfil à meia-luz da rua, o maxilar rígido, os lábios pressionados em uma linha dura demais para alguém que havia acabado de se divertir às minhas custas.
— Você enlouqueceu? — quebrei o silêncio, incapaz de me conter por mais tempo.
John lançou um olhar rápido na minha direção, mas não respondeu de imediato. Como se estivesse escolhendo as palavras. Ou decidindo se valia a pena responder.
— Eu te salvei de uma humilhação pública — disse, por fim, com a voz controlada demais para ser honesta.
Soltei uma risada incrédula.
— Você mentiu que é meu marido, John. Meu marido! E ainda jogou um bebê no meio da história como se fosse um detalhe tão irrelevante! E aquela história de contrato de confidencialidade? — Joguei em sua cara.
— Não é