CAPÍTULO 5

— Boa tarde, Senhora Ferrer! — John cumprimenta ao entrar em seu escritório.

Me levando e aceito o seu aperto de mão. Sua mão é grande e áspera em contato com a pele macia da minha.

Não sei se foi nervosismo por toda essa situação ou o fato de John parecer não me conhecer que havia me deixado momentaneamente sem palavras. Sinto que ele observa meu rosto, mas eu sequer consigo encarar seus olhos.

Quando ele se afasta, cansado de esperar por uma resposta, e se acomoda em sua mesa, enfim solto o ar que nem ao menos sabia estar prendendo.

Concentre-se Amanda!

— Sente-se, por favor.

Volto a me acomodar no sofá, agradecendo pela estabilidade do mesmo, e não confiando tanto assim em minhas penas bambas.

Quando ergo o olhar e olho John nos olhos, vejo algo diferente neles. Ele ainda não me reconheceu, mas aquele brilho em seu olhar eu conhecia muito bem.

Senti as maçãs do rosto ficarem quentes.

— Quando fui informado está manhã que após o almoço teria uma reunião com uma tal de Senhora Ferrer, me perguntei se tal pessoa fosse uma cliente de algum empreendimento antigo. Ou algo do tipo. — Começou ele, falando sem desviar os olhos de mim. — Mas a Senhora não me parece uma de minhas clientes.

Sorri, meu sorriso mais falso.

— O senhor realmente não me reconheceu, Senhor Carter? — Perguntei com doçura.

Pois esse jogo, eu sabia jogar.

— Dúvido que sequer já a tenha visto.

— Porque? — Rebati.

John sorriu.

— Por que eu jamais me esqueceria de alguém como você.

Pisquei.

Ele estava flertando comigo?

Isso só havia me deixado mais confusa.

— Eu havia me esquecido de como o Senhor era tão galanteador. — Falei, encarando seus olhos.

John franziu o cenho por um momento.

— Então a senhora já conhece esse meu lado?

— Mais do que você imagina.

— Perdão. Agora realmente estou confuso. De onde nos conhecemos? — Perguntou, desestabilizado.

Ri em desdém. É claro que ele não se lembraria de mim. Mas por um breve momento achei que fosse algum joguinho seu.

— Isso não importa agora. Temos assuntos importantes a tratar.

Eu quase podia ver as engrenagens rodando em sua cabeça, ele, de testa franzida, pareceu tentar buscar algo em sua memória. Ao qual não achou.

Senti meu orgulho mais um pouquinho ferido com isso. Apesar de não lembrar dos detalhes, eu saberia reconhecer seu rosto em uma multidão.

E eu nem estava usando tanta maquiagem ao ponto de não ser reconhecida.

— Quais assuntos seriam esses? — Perguntou, tomando uma postura mais profissional.

Lhe dei um sorriso amarelo.

— Acho que o Senhor deve dar uma olhada nesta papelada. — Falei, ciente de seus olhos sobre mim, me levantando e esfregando a pasta preta em suas mãos.

Quando John as pegou, seus dedos tocaram os meus. Não sei se foi um ato premeditado, mas o olhar intenção que recebi após o contato, me trouxe sensações estranhas.

Do tipo boas. — Quase fiz careta quando constatei isso.

Voltando ao sofá, observei John abrir a pasta e tirar de lá o pequeno montinho de papel.

— O que é isso? — John perguntou confuso, após longos minutos tentando decifrar o que estava escrito nos papéis.

— Beta HCG positivo — falei, como se fosse óbvio.

— E isso significa?

Suspirei.

— Que eu estou grávida!

John sorriu de lado, e essa reação só não me foi mais estranha do que sua fala seguinte:

— Meus parabéns! — Falou, mudando a postura. — Mas não entendo como isso tem algo haver comigo.

Meus Deus! Eu teria que desenhar?

— Você é o pai — falei sem rodeios.

Com assombro, observei John dar uma longa gargalhada.

Só quando ele constatou que eu não compartilhava de seu humor, que por fim parou de rir.

Em um movimento rompante, John afastou sua cadeira ao ficar em pé e veio em minha direção.

— Saia daqui! Eu não tenho tempo para oportunistas da sua espécie.

Ele tenta pegar em meu braço para que, presumo, possa me expulsar de seu escritório, se não de seu prédio. Porém, sou mais rápida e me esquivo de seu toque.

— Você não vai me tocar, John Carter! — Falo com frieza. — Se eu estou nesta situação, a culpa é toda sua! — Aponto o dedo em seu rosto. — Você me deu meio litro de vinho para "relaxar", e depois ficou com uma mulher bêbada! — Sinto as lágrimas molharem o meu rosto. — Se eu não tomei as pílulas é porque pensei que havia usado as malditas camisinhas que estavam em minha bolsa! — Solucei. — Agora você vai virar homem e assumir as suas responsabilidades, assim como eu vim até aqui para assumir as minhas. — Sentei novamente no sofá, tentando me recompor. — Podemos fazer quantos testes forem precisos, mas logo te aviso que eu tenho a plena certeza!

Observei sua fúria se transformar em assombro. E, por um momento, apreciei isso.

Eu havia falado tudo que estava formando um nó em minha garganta. Eu lutaria por meu bebê, com unhas, dentes e lágrimas, graças aos hormônios.

Me pegando de surpresa, John se sentou no sofá, ao meu lado. Talvez, tentando absorver o choque.

— Amanda Ferrer. — Ele falou meu nome, como se estivesse lembrando agora. — A garota de "John Carter igual ao filme"?

Era engraçado pensar que ele só se lembrava de mim pela piada que havia feito com seu nome.

Talvez eu realmente tenha ferido o seu ego.

— A própria!

John passou as mãos pelo rosto e cabelos, respirando fundo.

— Amanda, me perdoe! Eu estava meio alto naquela noite também. Nem me lembro se usamos camisinhas, só vi as embalagens no lixo do banheiro e presumi isso. Foi tudo muito no automático!

Eu queria dizer que ele havia sido um babaca no dia seguinte também, mas me vi dizendo:

— Isso não importa agora.

— Você tem certeza? — Perguntou, procurando meus olhos. — Digo. Tem certeza se...

— Se estou grávida? — O interrompo. — Sim. Se o filho é seu? Mais ainda.

John praguejou baixinho.

— E agora?

— E agora — falei me levantando do sofá, John fez o mesmo —, eu vou para a minha casa. O que tinha que fazer eu já fiz.

Dei-lhe as costas, pronta para seguir até a porta.

— Você não pode me dar uma notícia dessas e simplesmente ir embora com o meu filho na barriga! — protestou ele.

Fogo queimou dentro de mim.

— Ah não? Veja só!

Percorri a pequena distância até a porta do seu escritório e a abri, estava quase em frente a mesa de sua secretária quando John, praguejando, veio atrás de mim e segurou meu ante braço.

— Como vou saber se você estará segura?

Ri em desdém.

— Céus, John! — Exclamei. — Eu não estou carregando um rei na barriga!

— Claro que não — concordou ofendido. — Apenas o meu filho!

Ouvi o arguejo baixo de Elisa, sua secretária, e enfim percebi que estávamos fazendo uma cena na frente dela.

Me aproximei um passo para mais perto de John, para que ele pudesse me escutar quando falei baixo.

— Não me importo se você é ou não um homem importante. — Falei baixo, sentindo seu perfume amadeirado invadir meu nariz. — Não me importa se aquele quadro horroroso na sua parede vale mais que meu apartamento — John fez careta, ofendido. — Eu só quero que o meu bebê tenha um pai. Então quando essa criança nascer eu te ligo.

Puxei meu braço de seu aperto.

John passou sua mãos em seu rosto e cabelos, tentando se acalmar. Ele encarou meus olhos por um momento, como se buscasse alguma resposta de quaisquer que fossem as perguntas que enchiam sua mente.

— Vamos. — Falou por fim, me pegando de surpresa e colocando sua mão na base de minha coluna, me conduzindo até o elevador.

Seu toque me causou arrepios.

— John, o que... — Tentei falar enquanto ele me guiava.

Olhei para trás, vendo o rosto de Elisa tão em choque quanto o meu deveria estar.

— Você vai se mudar para meu apartamento, hoje.

Meu Deus! Onde eu tinha me enfiado?

Leia este capítulo gratuitamente no aplicativo >

Capítulos relacionados

Último capítulo