Ponto de vista do narrador
Dois dias após o Natal, a mansão ainda carregava o ar festivo — luzes piscando nas árvores do jardim, enfeites dourados nas janelas —, mas para Natália o mundo parecia girar em câmera lenta.
Os enjoos matinais continuavam, leves mas persistentes, e o peso da possibilidade — ou certeza — de uma gravidez a acompanhava com uma sensação de expectativa e ansiedade.
Carlos Alberto, sempre prático, marcara a consulta no mesmo dia em que o suspeito surgira.
— Clínica particular — dissera ele, a voz calma, mas os olhos brilhando com algo que Natália reconhecia como orgulho possessivo. — A melhor ginecologista da cidade. Vamos confirmar.
Cadu insistira em ir junto, mas uma reunião de emergência na empresa do pai o prendera.
Então foi só ela e Carlos Alberto no carro — o Mercedes preto deslizando suave pelas avenidas, ele dirigindo com uma mão no volante, a outra ocasionalmente tocando a coxa dela, como quem reafirma posse.
Na clínica — um prédio discreto e luxuoso n