Ponto de vista do narrador
A ceia de Natal terminara há pouco, a mesa ainda carregada de sobras deliciosas e taças meio cheias de vinho. As luzes da árvore gigante piscavam suaves na sala principal, refletindo nas janelas que davam para o jardim enfeitado.
Rebeca já bocejava no colo de Natália, os olhinhos pesados de tanto brincar e comer doces, enquanto os trigêmeos — corriam de um lado para o outro, animados com os novos drones e tablets que ganharam.
Henrique e Helena se levantaram devagar, o pai de Natália apoiando-se na muleta, a mãe ajustando o xale nos ombros. A noite fora longa — conversa, risos singelos, olhares trocados —, mas o desconforto inicial dera lugar a uma aceitação relutante, pelo menos por aquela noite.
Carlos Alberto, Cadu e Natália os acompanharam até a porta principal, o ar fresco da madrugada entrando quando o segurança abriu.
— Obrigado por virem — disse Carlos Alberto, a voz grave e educada, estendendo a mão para Henrique. — Foi uma honra tê-los aq