Ponto de vista do narrador
O dia do casamento amanheceu perfeito — céu azul sem nuvens, uma brisa leve de primavera carregando o perfume das flores do jardim da igreja histórica no centro da cidade. Natália escolhera uma igreja católica tradicional, respeitando os pais — Helena e Henrique, que, aos poucos, aprenderam a aceitar a situação. Não aprovavam o trisal abertamente, mas o amor pelos netos e a felicidade visível da filha falaram mais alto. "Se ela é feliz e bem cuidada, a gente abençoa", dissera Henrique uma vez, os olhos úmidos.
A igreja estava cheia — não de ostentação, mas de gente querida: família de Natália, colegas da faculdade, amigos próximos, alguns sócios discretos de Carlos Alberto. Nada de imprensa ou alvoroço; eles mantinham a privacidade, apesar da relação assumida.
Natália desceu o corredor no braço do pai, o vestido branco simples, mas elegante — renda delicada, cauda curta, colado nos pontos certos. Os gêmeos, com quase um ano completo, estavam nos braços das