Entrei no escritório como quem atravessa uma ponte estreita, tentando não olhar demais para nada e, ao mesmo tempo, registrando tudo. A madeira escura das estantes, o cheiro de café frio misturado com algum perfume masculino, a luz amarela do abajur recortando metade do rosto dele. Marcelo fechou a porta com um clique baixo, daqueles que fazem o silêncio espreitar o medo que ainda não se expôs.
— Sente-se, por favor. — ele disse, apontando para a cadeira à minha frente.
Obedeci. A cadeir