O silêncio da casa nunca é completo.
Mesmo agora, enquanto Elisa dorme no berço portátil ao lado do sofá e Alice está estendida no tapete com os lápis espalhados ao redor do corpo, há sempre um som: a respiração suave da bebê, o virar distraído de uma página, o tique-taque quase imperceptível do relógio na parede.
Estou sozinha… e, ao mesmo tempo, nunca estive tão acompanhada.
— Stella, quer que eu fique mais um pouco? — Marie pergunta da porta da cozinha, com o avental claro amarrado à cintura e aquele olhar atento que parece enxergar além do que eu digo.
Marie foi uma das decisões mais gentis que Romeo já tomou por mim. Não apenas porque ela ajuda, mas porque ela observa sem julgar. Apoia sem invadir. Sustenta sem fazer barulho.
— Não, pode ir descansar — respondo, forçando um sorriso. — Hoje eu dou conta.
Ela se aproxima, abaixa a voz ao perceber que Elisa se mexe levemente.
— Lembre-se: dar conta não significa fazer tudo sozinha — diz, com doçura firme. — Significa pedir ajuda qua