Percebo que o Natal nunca foi sobre datas no calendário, luzes piscando ou mesas fartas. Ele sempre foi sobre pertencimento. E naquela noite, atravessando o portão da casa dos meus pais com Stella ao meu lado, Alice pulando à frente e Elisa aninhada em meus braços, eu senti isso com uma força quase dolorida.
A casa estava iluminada como nos natais da minha infância. As luzes douradas contornavam as janelas, a guirlanda vermelha pendia da porta principal e o cheiro de rabanada misturado com peru assado escapava pela cozinha. Minha mãe, Antônia, apareceu antes mesmo de batermos, o avental ainda amarrado à cintura e os olhos marejados.
— Meu Deus… — ela sussurrou, levando as mãos ao rosto antes de nos envolver num abraço apertado. — Vocês estão todos aqui.
Lorenzo veio logo atrás, mais contido, mas com aquele sorriso orgulhoso que ele nunca soube esconder quando se tratava da família. Ele colocou a mão no meu ombro, firme, como sempre fez, e depois se inclinou para ver Elisa.
— Bem-vinda