O estádio parece grande demais para caber dentro dos meus olhos.
Mesmo depois de tudo o que já vivi ao lado de Romeo, de shows, entrevistas, palcos e multidões, Paris consegue me arrancar o ar. As luzes se espalham como constelações artificiais, milhares — não, dezenas de milhares — de pessoas gritando, cantando, chorando, esperando. O som é um organismo vivo, pulsante, que vibra no peito antes mesmo da banda subir ao palco.
Eu seguro a respiração por um segundo, como se precisasse me lembrar de que estou ali de verdade.
— É… muita gente — murmuro, quase rindo de nervoso.
Antonia está ao meu lado, com Elisa nos braços, a pequena protegida por um abafador de ouvido cor-de-rosa que parece grande demais para sua cabeça delicada. Lorenzo observa tudo com um sorriso orgulhoso, daqueles que não precisam de palavras. Ele olha para o estádio como quem olha para um sonho antigo que se realizou muitas vezes além do que imaginou.
Alice, alguns passos à frente, dança sem nenhuma vergonha ao lado