Mundo de ficçãoIniciar sessãoA casa dos meus pais tem um silêncio diferente à noite.
Não é vazio. É denso. Carregado de histórias que já foram ditas ali, de decisões tomadas em mesas de madeira maciça, de risadas altas que ecoaram por décadas e agora descansam nos corredores. Estaciono o carro devagar, desligo o motor e fico alguns segundos parado, olhando para a luz acesa no escritório do meu pai.
Ele sempre fica acordado até tarde.
Respiro fundo antes de entrar. Não porque tenho medo da conversa — mas porque sei que ela vai mexer em coisas que eu evitei por tempo demais.
Bato duas vezes na porta aberta.
— Entra — a voz de Lorenzo vem firme, mas cansada.
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