A casa está silenciosa de um jeito que eu nunca conheci antes.
Não é o silêncio vazio dos hotéis depois de um show, nem aquele que ecoa solidão nos corredores grandes demais. É um silêncio vivo. Cheio. Quase sagrado. O tipo de silêncio que respira junto com quem dorme.
Estou parado na entrada da sala, sem coragem de avançar um passo sequer, como se qualquer movimento pudesse quebrar o instante à minha frente.
Stella está deitada no sofá, o corpo curvado de leve para proteger Elisa, que dorme aninhada contra o peito dela. Um dos braços envolve a bebê instintivamente, como se mesmo dormindo ela soubesse que aquele pequeno corpo depende dela para tudo. O rosto de Stella está relaxado, livre das marcas de tensão que a acompanharam por tanto tempo. Pela primeira vez desde que a conheço, ela parece verdadeiramente em paz.
Alice dorme no outro canto do sofá, de lado, abraçada a uma almofada grande demais para o corpo dela. Os cabelos caem sobre o rosto, a boca entreaberta, o mesmo jeitinho q