Eu acordei com a sensação de que alguém tinha arrancado o chão debaixo de mim.
A primeira coisa que percebi foi que não estava no quarto principal. Nem no meu. Nem no quarto da Alice. Eu estava no quarto de hóspedes da mansão, ainda com a mesma roupa do dia anterior, deitada de lado, como se tivesse apagado de exaustão.
A segunda coisa que percebi é que eu não lembrava de ter vindo até aqui sozinha.
A terceira… foi o silêncio estranho do corredor.
Silêncio não — um burburinho constante, abafado, como vozes distantes tentando ultrapassar paredes grossas. Passos. Portas se abrindo e se fechando. Um telefone tocando. Outro. Várias vezes.
Demorei alguns segundos para entender que aquele som não era dos empregados.
Com o coração acelerado, levantei devagar, ainda tonta. A lembrança veio fragmentada: eu chorando, Romeo me abraçando, eu encostada no peito dele dentro do carro, tentando respirar depois de ver minha vida exposta em uma matéria sensacionalista.
E depois… nada. Um apagão.
Passei