Paramos diante de uma casa simples demais para carregar tanta história. A pintura bege desbotada, o portão de metal com uma das dobradiças rangendo sempre que o vento passava, a janela da frente semiaberta como se alguém tivesse saído às pressas e esquecido de fechá-la. Eu fiquei observando aquele cenário estático, como se fosse a capa de um livro que eu ainda não tinha coragem de abrir. Matt desligou o motor há algum tempo, mas nenhum de nós fez menção de sair. O silêncio dentro do carro pesava mais do que qualquer música poderia pesar.
— Quer ir lá… ver se ela está em casa? — ele perguntou, com um cuidado quase palpável, como se cada palavra pudesse me quebrar.
Eu respirei fundo, olhando para a porta, tentando imaginar se atrás dela havia uma mulher varrendo a sala, preparando café, pensando em mim do mesmo jeito que eu estava pensando nela.
— Não. Não agora. Eu não estou pronta — disse, e minha voz saiu firme demais para quem estava por dentro em frangalhos.
Matt assentiu