Capítulo 149 — Não... não é possível
Lorenzo Narrando…
O som da voz dela ao telefone ainda ecoava dentro de mim quando deixei aquela sala reservada. Não precisei ouvir cada palavra para entender o essencial — o corpo dela falou antes. O modo como empalideceu, como os ombros perderam a rigidez calculada, como os dedos tremeram levemente ao segurar o aparelho. Aquilo não era apenas preocupação. Era medo cru, primitivo, daquele que desorganiza qualquer estrutura cuidadosamente construída.
E então veio o nome.
Guilherme.
Ouvi de relance, como quem escuta algo que não deveria, mas que se impõe mesmo assim. O nome atravessou meu peito. Não pela sonoridade em si, mas pelo que ele carregava. Tudo aquilo que, silenciosamente, eu temia que existisse na vida dela — um espaço ocupado que não me pertencia mais.
Foi ali que a decepção se instalou. Não como um ataque, não como raiva. Mas como uma constatação amarga. Helena não estava apenas lidando com um imprevisto. Ela tinha uma vida da qual eu não fazia parte. Talvez nunca tivesse f