Helena Narrando…
Cheguei ao salão com a sensação incômoda de quem entra atrasada em um espaço que já decidiu seu ritmo sem esperar por ninguém. O relógio interno do lugar parecia ter sido ajustado a uma precisão: tudo estava pronto, alinhado, em silêncio controlado. Eu era a única ausência — e isso pesava mais do que deveria.
Os telefones estavam todos no silencioso, uma exigência clara do Sheik, comunicada com antecedência e reforçada discretamente pela equipe. Nenhuma vibração, nenhum toque, nenhuma concessão à urgência do mundo exterior. Apenas presença absoluta. Respirei fundo antes de atravessar o salão, recompondo a postura, ajustando mentalmente o foco. Não era o momento para fragilidades.
Cumprimentei os presentes com a formalidade adequada, pedindo desculpas pelo atraso em poucas palavras, medidas, aceitáveis. Sentei no lugar que me foi indicado, consciente demais de cada gesto. Evitei, deliberadamente, olhar para Lorenzo. Não por falta de controle — mas por excesso dele. Eu