Capítulo 3. Retorno

Ela pagou e voltou para o reservado onde todos estavam. Hélio sorriu e foi até ela.

— Você sumiu. As meninas disseram que você estava aborrecida e tinha ido embora. — pegou seu pulso e a levou até o assento estendido onde estavam os outros.

— Eu tive um mal estar súbito e fui tomar um ar fresco, agora estou bem.

As meninas estavam no palco, cantando e não gostaram de a ver de volta. Ela sorriu e deu um tchau, fingindo que nada havia acontecido no banheiro.

A noite prosseguiu com todos bebendo e Clarice, alegando o mal estar, só bebeu água. Quando os rapazes já aparentavam estar bêbados e as meninas subiram ao palco para cantar, mais uma vez, Clarice aproveitou e colocou as drogas nos copos sem que ninguém percebesse.

Esperou que bebessem e pediu licença para ir ao banheiro. Não foi embora, encontrou a sala de segurança, deu uma gorjeta boa ao guarda da vigilância e foi ver as imagens.

O efeito da droga era potente, um afrodisíaco especial e logo a sala transformou-se em uma orgia e sua maior surpresa e decepção, foi ver o seu namorado com outro homem. Não quis assistir mais, esperou mais uns minutos, pediu uma cópia do vídeo para o guarda e foi embora, percebendo que também estava um pouco afogueada.

Saiu do clube, mas antes de chegar ao ponto de táxi, o fogo inundou seu corpo.

— Dei mole, nem percebi que colocaram a droga na minha água, também.

Cambaleou e quase atropelou um carro parado no estacionamento. Um homem bonito saiu dele e a amparou antes que caísse.

— Ôpa, cuidado, assim você pode se machucar.

Ela olhou dentro dos olhos verdes mais bonitos que já vira e quase perdeu a voz.

— Eu…eu…fui…dro drogada.

— Oh, entendo.

Ela agarrou o blazer dele e grudou-se em seu corpo. Ficou na ponta dos pés e tentou beijá-lo, mas ele era alto e conseguiu se esquivar.

— Calma, garota, ou você vai se arrepender.

— Me ajuda, por favor. Não estou aguentando.

— Está bem, venha, entre no carro.

Ele a colocou sentada no banco do passageiro e prendeu o cinto de segurança, fechou a porta e correu para o outro lado, assumindo a direção. Partiu com o carro em direção ao hotel onde estava hospedado e amparou-a, entrando pelo elevador de serviço.

No quarto, levou-a para o banheiro e colocou-a no box, abrindo a água fria sobre sua cabeça, com ela ainda vestida. Clarice sentiu a refrescância da água em seu corpo, mas parecia que seu corpo estava totalmente tomado pelo afrodisíaco, pois a necessidade não passava. Tirou as roupas, rapidamente e olhou para o homem.

Clayton a observou tirando as roupas e estava inseguro sobre o que fazer. Precisava consumar o ato, mas não queria que fosse assim. Cornélio o designou para acrescentarmaturidade a ela, era necessário para o trabalho que fariam, mas não queria que fosse desse jeito.

Só que ele não teve escapatória, pois ela tomou a decisão por ele, que foi puxado para dentro do box, despido e beijado com a fúria da paixão. Claro que ele sabia que era culpa do afrodisíaco, mas como resistir aquela mulher linda e fogosa.

Logo estavam na cama e ele aproveitou para extravasar todo seu tesão recolhido dos últimos meses. Com a paixão que ela demonstrava, não foi cuidadoso e só se largaram quando estavam exaustos e o efeito da droga passou.

Clarisse acordou gemendo com a dor e o desconforto que sentia em seu corpo. Abriu os olhos e percebeu que não estava em seu apartamento, olhou para o seu corpo coberto com um edredom e percebeu as marcas que ficaram, como sinal da tórrida noite de paixão.

O homem bonito do qual não se lembrava, perfeitamente, das suas feições, não estava mais ali, mas encontrou um cartão de visita na mesa de cabeceira, com um copo d'água e alguns analgésicos. Viu o cesto de lixo debaixo da mesinha, contendo algumas camisinhas usadas e teve a certeza da realidade de suas ações.

Enrolou-se no lençol e foi para o banheiro de pernas abertas, andando com dificuldade. Tomou banho, lavando-se bem para aliviar o desconforto e ao sair do box enrolada na toalha, lembrou das suas roupas molhadas.

— Só me faltava essa, o que vou vestir, agora?

Ouviu uma batida na porta e foi atender. Quando abriu a porta, escondendo-se atrás dela, percebeu que era uma suíte e tinha uma sala, onde quem bateu na porta, deixou um carrinho com o café da manhã e algumas sacolas de loja, com roupas novas e alguns analgésicos.

— Nem sei quem é ele, mas é um cavalheiro.

Vestiu-se e tomou o desjejum, mas ele não apareceu, então foi embora, sem se sentir em dívida, apenas levou o cartão. Passou direto pela recepção e pegou um táxi.

Chegou em seu apartamento, arrumou suas coisas e partiu. Já havia pedido na secretaria da faculdade, que enviassem seus documentos pelo correio para o endereço de Cornélio.

Desceu arrastando a mala e o táxi já a esperava para a levar para a rodoviária. Seu celular tocava sem parar, desde que saiu de casa, era seu ex-namorado, pelo menos, era assim que ela o considerava, agora. Atendeu depois de entrar no táxi.

— Oi. — atendeu, seca.

— Você está bem, por quê você sumiu?

— Me senti mal e percebi que não estava no mesmo clima que vocês. Aliás, se você gosta de caras, devia ter falado ao invés de me enrolar.

— Do quê você está falando?

— Você não sabe? Vou te enviar…

Ela enviou para o celular dele, as imagens que obteve no clube e o jovem surtou.

— O quê…você gravou? Sua vadia! Como você pôde armar para mim desse jeito, eu te respeitei e é assim que você me trata?

— Vocês me drogaram e se eu não tivesse percebido e saído, teriam me estuprado. Eu ouvi vocês falando e quer saber? Acabou, estou indo embora.

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