Capítulo 2. Conquistas

Os dois se despediram e Cornélio foi até a recepção e pediu os dados da jovem, seguindo depois para seu carro, onde Hector o esperava. Com seu celular fez uma pesquisa rápida e descobriu sobre o passado da jovem, inclusive quem era seu pai, o que lhe causou surpresa.

— Quando, eu imaginaria que teria sua filha em minhas mãos, velho amigo? Vou cuidar muito bem dela, você vai ver. — Esse velho amigo, não era tão amigo assim.

Chegou em sua nova residência, uma mansão antiga que estava sendo reformada e depois de um banho quente, dormiu tranquilo. Planejaria algo muito especial para aquela jovem. Com certeza, em cinco anos, ela estaria no ponto para completar seus planos.

*

Clayton Dennings também chegou, de madrugada, em seu apartamento. Sua noite não foi tão proveitosa como pretendia que fosse. O jantar com todos aqueles empresários arrogantes e suas acompanhantes exibicionistas, foi massante.

Tentou extrair informações pertinentes ao seu novo investimento, mas aquelas pessoas só queriam fofocar sobre a vida alheia. Em determinado momento, conseguiu subir para investigar o escritório, mas foi barrado por seguranças armados e sabia que sua missão seria quase impossível.

Olhou para o pendrive em sua mão, lembrando o trabalho que deu para o conseguir e guardou-o na mesa de sua escrivaninha, trancado. Amanhã, examinaria tudo com calma.

— Vamos conhecer os seus segredos, senhor Gusmão, sua ascensão meteórica foi muito surpreendente para quem não tinha nada. Não me associarei a alguém de moral duvidosa.

Também tomou um banho quente e dormiu o sono dos justos.

Cinco anos depois

Clarice fez a prova, recebeu os cumprimentos dos professores e saiu. Terminava a faculdade depois de ter acumulado várias matérias e apressado o término. Graças ao apoio do Sr. Cornélio, pôde dedicar todo seu tempo aos estudos.

Dispensou a formatura, pois queria iniciar a procura por seu pai. O senhor Cornélio sugeriu que ela se formasse e treinasse primeiro, para procurá-lo sem precisar pedir nada, mas totalmente independente, caso sua madrasta inventasse alguma mentira sobre ela.

Saiu do prédio e seu namorada galã, esperava-a. Era jovem como ela e também se formou.

— Oi, Clari, como foi?

— Bem, agora terminei. Creio que apresentei bem a monografia e vi aprovação nos rostos dos professores.

— Que tal sairmos com a galera esta noite, para comemorar.

Clarice não gostava dessas saídas. A tal galera era um grupinho de esnobes que só a aceitaram

por ser namorada de Hélio, o zagueiro do time de futebol da escola.

— Ah…pensei em algo diferente, um cinema, talvez, só nós dois, Hélio.

— Nem pensar, é noite de comemoração, vamos sim e não se fala mais nisso.

Ele a abraçou e calou-a com um beijo que lhe tirou o fôlego e ela desistiu e entregou-se ao beijo. Eles ainda não tinham transado por decisão de Clarice, que ainda não se sentia preparada e ele queria aproveitar aquela noite para consumar o ato.

À noite, todos se encontraram em uma sala de Karaokê privada, em um novo clube que inaugurou na cidade. Eram todos herdeiros ricos, só não Clarice e isso a deixava sempre desconfiada e prevenida.

— Olha aí o casalzinho vinte, que bom que chegaram. — disse o colega que mais Clarice antipatizava.

— Oi, Olavo, cadê as meninas? — perguntou ela, não gostando de ficar sozinha com os rapazes.

— Foram retocar a maquiagem, mas você nem precisa, não é princesa?

Era por isso que Clarice não o suportava, estava sempre se insinuando e seu namorado sempre ria, ao invés de defendê-la.

— Acho melhor ir até lá, também.

— Não vá, gata, você acabou de chegar… — insistiu Olavo.

Ela se desvencilhou dele e saiu, fechando a porta, mas antes de fechar totalmente, escutou:

— É hoje, não é, Hélio, que essa pxtxnha vai ficar rodada? — perguntou Olavo.

— Ela nem imagina o que a espera. Trouxe o bagulho? — respondeu Hélio.

— Claro, cara, sem bagunça.

Clarice, apesar de chocada, saiu logo dali e foi ao banheiro onde as outras meninas estavam. Percebeu que a porta tambem não estava trancada, entrou e ouviu mencionarem seu nome e estancou, escondida atrás da parede de marmore negro, que ocultava o interior do banheiro de quem passava pelo corredor.

— Aquela Clarice é uma sonsa, mas hoje ela terá o que merece.

— Deviam ter feito isso desde o início, assim ela iria embora e não teríamos tido que suportá-la por todo esse tempo.

Clarice não tinha sangue de barata e entrou no banheiro.

— Então é isso que as princesinhas mimadas pensam de mim?

— Clari, sua vaca, você estava ouvindo a conversa atrás da porta?

— Não exatamente, entrei e vocês nem perceberam, mas foi bom saber o que pensam. É recíproco.

A líder de torcida, que dominava a conversa, se aproximou dela e ela percebeu suas nada boas intenções.

— Então, que bom que estamos entendidas e se não fosse pelo Hélio, você nem passaria perto da gente.

— Tem toda razão, não gosto de andar com vadias. — provocou Clarice.

A líder levantou a mão para estapear Clarice, que não deixou, claro. Segurou seu pulso, torcendo o braço para trás das costas e empurrou-a. Suas duas amigas que estavam com ela, seguraram-na, impedindo que caísse no chão. Clarice não esperou, deixou o lugar, ouvindo os xingamentos das três e foi embora.

Mas ao passar pela porta, pensou em voltar, mas se voltasse, seria para dar uma lição neles. Não queria perder tempo e nem saúde com aqueles idiotas. Viu o traficante que sempre estava nos estacionamentos das boates e foi até ele, que abriu um grande sorriso ao vê-la se aproximar.

— Oi, moça bonita, em que posso lhe servir.

— Eu quero… — falou baixinho em seu ouvido.

— Hum, moça levada, querendo fazer arte. — enfiou a mão na pochete que trazia presa atravessada no peito sob o casaco e tirou três saquinhos — Aqui está.

Ela pagou e voltou para o reservado onde todos estavam. Hélio sorriu e foi até ela.

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