Na manhã seguinte, meu corpo parecia ter sido atropelado pelo próprio destino. Eu acordei com os olhos ardendo, a garganta seca e uma exaustão que não vinha só da falta de sono, vinha da falta de esperança.
Mas eu não tinha mais o direito de fraquejar.
Eu precisava trabalhar. Eu precisava pagar minha dívida. Eu precisava salvar minha mãe.
Fui para o banheiro como quem se arrasta para o campo de execução. Entrei na banheira e me submergi, tentando afogar a angústia, mas ela sabia nadar melhor do que eu.
Quando saí, enrolei a toalha no corpo e encarei meu reflexo. Eu tinha olheiras profundas, olhos sem brilho, boca trêmula.
— Vamos, você consegue.
Menti para mim mesma.
Passei maquiagem até esconder tudo o que doía. Me vesti como se pudesse vestir coragem também. E quando me senti minimamente apresentável, liguei a câmera e regravei o vídeo para Carolina.
— Eu, Júlia A…, confirmo que li e aceito todos os termos do contrato. Estou ciente das condições e totalmente de acordo.
Sem lágrimas.