CAPÍTULO 18

Chorar foi inevitável.

Quanto mais eu pensava na vida que teria dali pra frente, mais o desespero me sufocava.

Eu seria uma prisioneira.

Uma espécie de prostituta de luxo, fixa, sem vontade própria, sem direito de dizer “não”.

Condenada a dividir um homem casado, que tratava mulheres como brinquedos de coleção.

E o pior… não havia saída.

Passei o resto do dia ignorando a passagem das horas. Não quis comer, não quis olhar pela janela. Só fiquei ali, deitada, olhando pro teto e tentando entender onde tudo tinha desandado.

Como cheguei até aqui?

Em que momento a minha vida virou um contrato de posse nas mãos de um estranho?

Fechei os olhos e pensei na minha mãe. A imagem dela, frágil, com aquele olhar cansado, me partiu ao meio. Foi aí que o telefone da suíte tocou, me arrancando do transe.

O som me assustou.

Por um segundo, achei que fosse ele.

Respirei fundo, tentando controlar a voz antes de atender.

— Alô?

— Srta. Júlia, há uma ligação internacional para você, diretamente do Brasil.
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