Chorar foi inevitável.
Quanto mais eu pensava na vida que teria dali pra frente, mais o desespero me sufocava.
Eu seria uma prisioneira.
Uma espécie de prostituta de luxo, fixa, sem vontade própria, sem direito de dizer “não”.
Condenada a dividir um homem casado, que tratava mulheres como brinquedos de coleção.
E o pior… não havia saída.
Passei o resto do dia ignorando a passagem das horas. Não quis comer, não quis olhar pela janela. Só fiquei ali, deitada, olhando pro teto e tentando entender onde tudo tinha desandado.
Como cheguei até aqui?
Em que momento a minha vida virou um contrato de posse nas mãos de um estranho?
Fechei os olhos e pensei na minha mãe. A imagem dela, frágil, com aquele olhar cansado, me partiu ao meio. Foi aí que o telefone da suíte tocou, me arrancando do transe.
O som me assustou.
Por um segundo, achei que fosse ele.
Respirei fundo, tentando controlar a voz antes de atender.
— Alô?
— Srta. Júlia, há uma ligação internacional para você, diretamente do Brasil.