Me levantei da poltrona devagar, sentindo as pernas trêmulas, mas a coragem crescendo dentro de mim como uma chama alimentada pela raiva.
Ele me observava, imponente, como se soubesse que eu não teria forças para enfrentá-lo. Só que ele estava errado.
Caminhei até ficar frente a frente com ele, tão perto que podia sentir o perfume amadeirado e frio que sempre o acompanhava.
Levantei o queixo, o encarando de igual para igual.
— Enquanto você faz piadas com a minha dor...
Falei, a voz embargada, mas firme. — A minha mãe está correndo o risco de morrer. Engraçado, não é? A dor de alguém pra você é só um motivo pra zombar.
O sorriso dele desapareceu instantaneamente. O rosto do Sheik endureceu, e por um breve instante o silêncio pareceu pesar no ar.
Ele deu um passo à frente, e a sombra dele cobriu meu corpo inteiro.
— Você parece esquecer o seu lugar, Júlia.
A voz dele saiu baixa, fria, cortante.
— Você é apenas um produto que eu resolvi comprar para usar. E pra um produto, está fazendo