Fiquei deitada por um tempo, abraçada aos travesseiros, sentindo cada ponto do meu corpo arder de vergonha e confusão.
As lágrimas rolavam sem controle, e não era só pelo que havia acontecido. Era pelo motivo pelo qual eu estava ali. Pela minha mãe.
Respirei fundo, tentando me convencer de que aquilo tinha um propósito. Que cada gesto, cada ordem, cada sensação que eu suportava, era para garantir que ela recebesse o tratamento, que não faltasse nada para que ela pudesse continuar lutando.
Mas mesmo repetindo isso para mim mesma, o aperto no peito não diminuía.
— Estou fazendo isso por você, mãe…
Sussurrei entre soluços, apertando os travesseiros contra o peito.
— Estou fazendo tudo por você.
O tempo passou devagar, se arrastando como se cada segundo fosse um martelo sobre minha cabeça.
Minha mente revisava cada gesto dele, cada olhar, cada toque. E, por mais que eu tentasse racionalizar, não conseguia deixar de sentir a mistura de medo, vergonha e fascínio que ele provocava.
Depo