A casa estava mergulhada em um silêncio provocante quando Daniel fechou a porta atrás de si. As luzes indiretas criavam sombras sensuais pelas paredes, e o ar parecia carregado de algo que ia além do simples reencontro. Marye estava de costas, próxima à janela, usando um vestido leve que desenhava suas curvas com delicadeza quase cruel.
Ela sentiu a presença dele antes mesmo de ouvi-lo.
Daniel parou alguns passos atrás, observando-a em silêncio. O desejo o atravessava com força, mas havia também respeito — um respeito tenso, perigoso, que tornava tudo ainda mais intenso.
— Você não faz ideia do quanto pensei nesse momento — disse ele, a voz baixa, rouca.
Marye virou-se devagar. Seus olhos azuis encontraram os dele, escuros, famintos, cheios de algo que não se dizia mais em palavras.
— Pensar não muda o que aconteceu — respondeu ela, mas seu tom traiu o corpo, que já reagia à proximidade dele.
Daniel deu um passo à frente. Depois outro. Parou a centímetros dela.
— Não — murmurou. — Mas