A manhã em Los Angeles amanheceu clara demais para o peso que Marye sentia no peito. O sol atravessava as cortinas de linho do quarto, iluminando cada detalhe do espaço sofisticado que agora simbolizava não conforto, mas responsabilidade. Tudo parecia intacto por fora, enquanto por dentro ela sentia que estava à beira de se romper.
Desde que fora anunciada como herdeira principal, sua vida deixara de lhe pertencer completamente. O telefone não parava: advogados, conselheiros, executivos. Todos queriam respostas, decisões, direções. Marye respondia com educação, mas cada chamada era um lembrete cruel de que sua liberdade estava sendo negociada em silêncio.
Ainda assim, havia algo que ela precisava enfrentar naquele dia.
Daniel.
Eles se encontraram em um parque afastado, onde o som distante da cidade se misturava ao canto dos pássaros. O ar estava fresco, e as árvores altas criavam uma falsa sensação de paz. Daniel parecia mais sério, mais contido. Havia algo definitivo em sua postura.