O nome “mãe” nunca teve um significado concreto para Marye. Era uma palavra vazia, sem rosto, sem cheiro, sem memória. Enquanto outras crianças falavam de colo, de cuidado e de proteção, ela cresceu ouvindo apenas explicações vagas e silêncios constrangedores. Sua mãe havia ido embora quando ela ainda era um bebê, e ninguém parecia disposto a explicar exatamente o porquê.Fernando, seu pai, fazia o possível para preencher aquele espaço. Ele era paciente, afetuoso e presente. Contava histórias antes de dormir, preparava o café da manhã, ajudava nos deveres da escola. Ainda assim, Marye percebia, mesmo pequena, que havia algo não dito em sua história. Um segredo pairava sobre sua origem como uma sombra constante.A morte de Fernando mudou tudo.Aos dez anos, Marye viu seu mundo desmoronar novamente. A perda do pai foi um golpe profundo, um vazio que parecia impossível de preencher. O luto foi silencioso, vivido entre quartos enormes e corredores frios da mansão do avô Carlos, para onde
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