O Nome Que Doeu Mais

Marye acordou antes do amanhecer. O quarto ainda estava envolto em sombras suaves, e o corpo de Daniel dormia ao seu lado, quente, presente, real. Ela ficou imóvel por alguns instantes, observando a respiração dele, sentindo o peso da noite que haviam compartilhado. Não era arrependimento o que sentia. Era lucidez.

Levantou-se com cuidado, vestiu um robe leve e caminhou até a varanda. O céu começava a clarear, e aquele tom azul pálido trouxe consigo uma lembrança que ela tentara evitar a noite inteira.

Cherie.

Encostada no parapeito, Marye deixou que o passado se infiltrasse sem pedir permissão.

Ela se lembrou da primeira vez que conheceu Cherie, ainda crianças. As duas tinham os mesmos cabelos claros, mas os olhos eram diferentes — os de Cherie sempre pareciam esconder algo, mesmo quando sorria. Eram inseparáveis. Dividiam segredos, roupas, sonhos. Chamavam-se de irmãs quando alguém perguntava.

Foi Cherie quem esteve ao lado de Marye quando o pai morreu. Foi Che
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