Sexta-feira chegou com a lentidão deliberada de um algoz que saboreia cada momento que precede a execução. Para Alis, no entanto, não era uma sentença de morte que a aguardava, mas uma de vida tão intensa e visceral que a assustava e atraía na mesma medida. O dia foi uma agonia de espera. As horas no escritório arrastaram-se como melaço, cada minuto um pequeno suplício. Seus dedos, que normalmente dançavam sobre o teclado e a mesa digitalizadora de maneira precisa, estavam inquietos. Sua mente, treinada para resolver problemas complexos de espaço e forma, era incapaz de se concentrar em qualquer coisa que não fosse a imagem de Samuel, daquele corpo atlético e familiar, daquela voz que era um convite permanente ao pecado.
Mal o relógio marcou o fim do expediente, ela estava a caminho do seu apartamento, seu coração já acelerado, um turbilhão de formigas percorrendo sua espinha. O banho que tomou foi um ritual de purificação e preparação. A água quente deslizou sobre sua pele como um pr