A volta à rotina foi um choque, um mergulho em águas gélidas após o paraíso tépido do fim de semana. Para Alis, o apartamento em São Paulo, outrora um santuário de sua independência, parecia agora desoladoramente silencioso e vazio. Os sons da cidade, o tráfego incessante, a sirene ocasional, o zumbido de fundo de milhões de vidas, eram um ruído branco e sem graça comparado ao som do mar e, mais ainda, aos sussurros roucos e aos gemidos que ecoavam em sua memória.
Seu escritório de arquitetura, um espaço aberto e arejado com plantas e prateleiras repletas de maquetes, sentia-se como em uma gaiola. As reuniões com clientes, os prazos de projetos, os orçamentos a serem fechados, tudo parecia incrivelmente trivial, uma pantomima sem significado quando comparado à intensidade que havia experimentado. Seus dedos, que deslizavam sobre a mesa digitalizadora criando linhas e formas, tremiam levemente, lembrando-se do toque da pele áspera de Samuel contra seu corpo.
Ela se pegava olhando para