Rocco Mancini
O jardim de inverno parecia ter congelado sob o peso das palavras de Bella. O perfume das orquídeas agora era sufocante, misturando-se ao cheiro metálico da memória que ela evocava. Ela não desviou o olhar; seus olhos cinzentos tornaram-se duas lâminas fixas nos meus, e sua voz, embora baixa, carregava o peso de mil gritos sufocados que nunca tiveram permissão para escapar.
— Você fala de Lorenzo, da tortura e da clínica como se fossem capítulos de um livro que você leu, Rocco — ela começou, e o veneno em sua voz era palpável, escorrendo por entre dentes cerrados. — Mas você não viu o que eu vi. Você não sentiu o gosto do próprio sangue na boca enquanto implorava para que ele parasse. Enquanto implorava para que ele me matasse em vez dele.
Ela deu um sorriso triste, desprovido de qualquer calor humano. Era o sorriso de alguém que já cruzou o Estige e voltou apenas por obrigação.
— Vincenzo Romano não é apenas um pai cruel. Ele é um arquiteto da dor. Naquela noite na