Rocco Mancini
Eu a tinha comprado. Simples assim.
Vi Scarlett saindo da biblioteca, tremendo e confusa, mas a promessa estava feita: a vida de sua mãe estava segura. Eu tinha agido puramente por necessidade e cálculo. Se a mãe dela morresse, eu perderia a babá insubstituível de Luigi, e teria que lidar com a instabilidade emocional da única pessoa que confiava na segurança do meu filho. Não.
Eu garantiria sua permanência na mansão e, mais importante, o fim de seus joguinhos e de sua irritante indiferença. A lealdade dela havia sido comprada e cimentada pela vida.
Eu me recostei em minha cadeira na biblioteca após a saída apressada e silenciosa da babá. Senti o cheiro de sabonete de lavanda quente que ela havia deixado para trás, misturado ao cheiro pesado do mármore e dos charutos. Ela era um incômodo constante, um nó que eu não conseguia desfazer.
Desde o dia em que Marco a tocou, e minha fúria explodiu, ela havia se tornado um ponto cego perigoso.
Eu não podia esquecer