Rocco Mancini
A sala do Conselho era um relicário de glórias passadas e mofo institucional. Localizada no subsolo de uma catedral esquecida na periferia de Roma, o ambiente exalava o cheiro de incenso barato e segredos apodrecidos. As paredes eram adornadas com tapeçarias que narravam conquistas de séculos atrás, mas os homens sentados à mesa circular não passavam de relíquias que se recusavam a aceitar a própria obsolescência.
Entrei sem bater. A porta de carvalho maciço bateu contra a parede com o estrondo de um tiro, anunciando que o Dom não pedia licença para entrar em lugar algum. Matteo e Carlos entraram logo atrás, se posicionando como gárgulas de carne e osso aos meus flancos. Eu não vestia o terno de gala que eles esperavam; usava o meu terno preto sob medida, o coldre discretamente visível sob o paletó aberto, e um olhar que dizia que eu preferia estar em qualquer outro lugar, menos ouvindo o ranger de ossos daqueles anciãos.
O Conselho era composto por cinco homens. O ma