HARRY RADCLIFFE
O corredor do tribunal cheirava a papel envelhecido, tinta a café frio, o tipo de ambiente que sufocava assim que alguém decidisse pisar os pés nele, o que apenas se intensificou à medida que fui adentrando mais no espaço monótono.
O escritório de Karl ficava no fim do corredor, um cubículo de madeira escura, estantes abarrotadas de processos e uma janela pequena demais para ser tida como uma janela. Entrei sem bater, ele não gostava, mas nunca me impediu.
— Bom dia, Sr. Radcliffe, não imaginei que fosse chegar tão cedo — murmurou Karl, sem levantar os olhos dos papéis. — Prefere uma água ou um café sem açúcar?
— Poupe as ironias, Humpert — larguei a pasta na mesa dele, fazendo poeira se soltar. — Fala logo o que sabe, estou impaciente.
Karl suspirou e tirou os óculos do rosto, esfregando com um lenço limpo, como um hábito nervoso, e voltando a colocá-lo no rosto e olhando diretamente para os processos em sua mesa.
— Encontraram o corpo de Johnny na cela ontem à noite