RUBY PORTMAN
O helicóptero aterrissou com suavidade.
No avião, ele dormia. O homem que não admitia fraquezas, que passava os dias comandando pessoas e negócios com a mesma frieza com que segurava um copo de vinho, estava recostado com a cabeça virada levemente para o lado, a boca relaxada, os cílios longos roçando a pele.
Eu observava-o como quem observa um inimigo vulnerável, quase esperando que ele abrisse os olhos de repente para lançar alguma ironia. Mas não. Ele dormia.
E eu pensava que esse contraste era uma das razões pelas quais eu jamais me livraria dele: Harry Radcliffe só me deixava vê-lo humano nos instantes em que ele não percebia.
A viagem parecia interminável, mas ele continuava dormindo. Eu tentava ler, tentava fechar os olhos, mas a cada movimento dele, a forma como ajeitava o corpo, como suspirava pesado, eu desviava os meus olhos. No fundo, o silêncio dele era mais eloquente do que qualquer conversa.
Quando pousamos em Nova Iorque, já era noite. Suspirei cansada e