44. Um Recomeço
Sophie Williams Volkova
A madrugada avançava, e eu continuava ali, imóvel, com os olhos perdidos na escuridão além da janela. As luzes do jardim não passavam de manchas borradas no vidro, como se até elas hesitassem em me alcançar. Tudo parecia suspenso — o tempo, o som, a dor.
Levantei devagar. Meus músculos protestaram, rígidos após tantas horas na mesma posição. A casa dormia, mergulhada num silêncio quase sagrado, mas dentro de mim o caos gritava — invisível, incansável.
Vesti uma calça de