71. Ciúme Nojento
Quando passo pelos portões da mansão dos meus pais sinto o ar pesado, como se tudo estivesse prestes a desmoronar mais uma vez.
Em vez de ir para dentro, corto caminho pelo pátio lateral, ignorando a escadaria imponente e as portas altas. Vou direto para a academia da mansão. O som abafado dos próprios passos ecoa no piso frio enquanto a raiva cresce dentro de mim, tomando forma, queimando, implorando para ser libertada. Preciso extravasar essa fúria — e o ciúme nojento que me corrói como veneno.
Abro a porta da academia com força. Os soldados que treinam ali param por um segundo, como se sentissem a mudança no ar. Escolho um deles com os olhos, apenas aponto, e ele se aproxima. Seu rosto perde a cor quando percebe quem o chamou.
— Sabe lutar, soldado? — pergunto, deixando a voz gotejar ameaça.
Ele engole seco e concorda com um gesto curto. E, antes que ele possa ajeitar a postura ou pensar em qualquer estratégia, avanço com um soco direto, seguido de outro, e outro. Ele desvia, hesit