O rosto de Vinícius exibia um sorriso indulgente, quase mimado.
— Jaque, escolha o que quiser. Eu pago.
O rosto de Jaqueline corou de forma graciosa.
— Vini, eu confio no seu gosto. Escolhe você pra mim.
— Tudo bem.
O olhar de Vinícius percorreu o balcão à frente, avaliando peça por peça com precisão. Logo fixou os olhos em uma bolsa de edição limitada.
— Moça, por favor, pode trazer essa bolsa?
Ele se virou para Jaqueline:
— Jaque, este modelo é lançamento deste ano. Pequeno, delicado… Combina perfeitamente com o seu estilo.
Depois vieram as roupas.
— Jaque, este vestido azul tinta é elegante e discreto. Vai valorizar muito sua pele.
Depois, os sapatos.
— Jaque, este par é maravilhoso. O salto não é alto, fica confortável sem perder a sofisticação.
As vendedoras ao redor trocaram olhares de espanto e começaram a cochichar, claramente incrédulas:
— Não acredito… É a primeira vez que vejo um homem entender tanto de moda feminina.
— Por isso o Sr. Vinícius é o homem perfeito, né? Não só é rico, como tem um gosto impecável. Tudo o que ele escolheu está entre os itens mais vendidos da loja.
— Ai, quando será que vou encontrar um homem assim? Tô morrendo de inveja dela.
Encolhida no canto, Cristiane sentiu o ar sumir de repente.
Então ele não era incapaz de entender moda. Ele apenas não queria entender quando era por ela.
Depois que Vinícius ficou rico, Cristiane fazia de tudo para estar à altura do status dele. Comprava roupas, bolsas, sapatos, cuidava da própria imagem. Cada vez que ela mostrava animada suas novas aquisições, Vinícius sequer levantava os olhos dos documentos. Sempre era a mesma frase, fria e impassível:
— Coisas de mulher eu não entendo. Se você gosta, está ótimo.
Mas agora… Agora ele comentava cortes, cores, estilos… Falava com propriedade, com atenção, com gosto.
Como uma lâmina afiada, aquela cena voltou a rasgar o coração de Cristiane.
Logo Jaqueline saiu do provador. A roupa escolhida por Vinícius parecia feita sob medida para ela. Acentuava suas curvas, realçava sua beleza, tornando-a ainda mais encantadora.
Vinícius a olhava com uma doçura tão densa que parecia capaz de derreter o ar ao redor.
— Jaque, no dia da abertura de capital, você vai estar deslumbrante com esse conjunto. E eu… Eu vou te dar uma surpresa.
Ao ouvir isso, o coração de Cristiane apertou tanto que seus joelhos fraquejaram. Ela cambaleou e, com um estrondo seco, derrubou a prateleira à sua frente.
Os seguranças reagiram de imediato. Invadiram o canto onde ela estava escondida, a agarraram pelo braço e, sem qualquer hesitação, um deles lhe deu um tapa violento no rosto.
— Quem te deu coragem pra se esconder aqui espionando?
Do lado de fora, a voz de Vinícius soou gélida, como gelo quebrando:
— O que vocês estão fazendo? Eu pedi para esvaziar o local antes. Como deixaram alguém se esconder aí dentro?
O chefe dos seguranças respondeu prontamente:
— Perdão, Sr. Vinícius. Nós vamos cuidar disso imediatamente.
Cristiane mal teve tempo de chamar por ele. A mão do segurança tapou sua boca, e ela foi arrastada para fora da loja à força.
Alguns seguranças a levaram até um canto isolado. O chefe deles começou a xingar sem piedade:
— Merda! Encontrar uma porcaria como você é sinal de azar. Veio aqui de propósito pra ferrar o meu trabalho? Batam nela. Sem dó.
Os outros, ao ouvir a ordem, avançaram todos ao mesmo tempo em direção a Cristiane. Ela tremia da cabeça aos pés, os olhos cheios de pânico.
— Se vocês encostarem um dedo em mim, o Vinícius nunca vai perdoar vocês!
As risadas deles ecoaram no corredor vazio.
— Você acha que é quem? Ficou louca achando que é mulher do Sr. Vinícius?
E então vieram os golpes. Socos como chuva pesada, caindo sobre seus braços, sua cabeça, suas pernas. A dor era tão intensa que ela nem conseguia gritar.
Antes de perder a consciência, a última imagem que viu foi Vinícius entrando no luxuoso Maybach. Um braço passado pela cintura de Jaqueline, a outra mão carregando sacolas de compras.
Seu peito ficou oco, completamente vazio. De repente, já nem doía mais. Sua mente fugiu para muito, muito longe para um tempo em que Vinícius nunca desgrudava dela.
Todas as manhãs ele a levava ao trabalho, todas as noites ele a buscava. Ela brincava:
— Me vigiando desse jeito todo dia… Tem medo que eu fuja?
E ele, com um sorriso tímido de menino, respondia:
— Claro. Minha esposa é tão bonita… Tenho que cuidar bem. Não posso deixar que nada aconteça com você.
Aquela lembrança, ele pedalando a bicicleta com ela na garupa, desaparecendo juntos na esquina, sumiu como um sonho bom sendo arrancado à força.
Quando abriu os olhos novamente, estava em uma cama de hospital. Vinícius estava sentado ao lado, o semblante fechado e sombrio. Ao vê-la acordar, sua expressão mexeu um pouco.
— Cris, com quem você mexeu? Como te deixaram nesse estado? Me diga quem foi. Eu juro que vou te vingar.
Ela tentou abrir a boca para falar, mas, antes que conseguisse, o celular de Vinícius começou a tocar.
— Tá bom, entendi. Já estou indo.
Vinícius levantou-se e caminhou para a porta, deixando apenas uma frase jogada no ar:
— Espere por mim.
Mas ele não voltou. Nunca mais voltou.
No dia em que recebeu alta do hospital, Cristiane sentiu o coração surpreendentemente leve. Sem expectativas, não havia decepção. Ela já não esperava, nem desejava, o amor de Vinícius.
Ao chegar em casa, começou a arrumar suas coisas. Todas as lembranças que dividira com ele estavam espalhadas pelo quarto, guardadas com um cuidado quase devoto.
Na parede da sala, os buquês de flores secas, flores que Vinícius lhe enviara ao longo dos anos. Sobre a mesa, as canecas de casal que os dois fizeram juntos. No sofá, as almofadas que compraram como lembrança em uma viagem. E até o ursinho de pelúcia na cama, o primeiro presente que ele lhe deu com o próprio salário, em seu aniversário.
Mas agora, sabendo que tudo isso era, para Vinícius, o símbolo de uma fase que ele considerava humilhante, o peito de Cristiane pareceu se encher de algodão, sufocando-a de dentro para fora.
Aquela enorme mansão, tão luxuosa e perfeita, não passava de uma gaiola dourada. E durante todos esses anos… A única pessoa trancada ali dentro foi ela mesma, presa ao próprio amor.