Capítulo 2
Assim que encerrou a ligação, o celular de Cristiane voltou a tocar. Era Vinícius.

— Cris, eu sabia que você ia entender. Para o IPO da empresa, eu realmente não tinha outra opção. Fique tranquila, é só um papel, não muda nada entre nós. Vou mandar a secretária buscar você. Hoje à noite, vamos comemorar.

O coração de Cristiane estremecia. Então, para ele… O divórcio era motivo de comemoração.

Ela não recusou. Dez anos de amor… Talvez merecessem, ao menos, um jantar de despedida.

No restaurante luxuoso, os dois se sentavam frente a frente. Desde que ele ficara cada vez mais rico, ficara também mais ocupado. Cristiane já nem lembrava quando fora a última vez em que jantaram juntos.

— Cris, eu cumpri todas aquelas promessas que um dia fiz para você. Quando a empresa abrir capital, vou finalmente conquistar a minha liberdade financeira.

Vinícius ergueu a taça e bebeu tudo de uma vez. O homem diante dela já não era o garoto pobre de antes. Seus olhos brilhavam com uma ambição intensa, uma fome insaciável por glória, poder e dinheiro.

Uma dor ácida subiu ao peito dela. Cristiane ergueu a própria taça e brindou:

— Parabéns por realizar seu sonho. Que você seja livre.

O álcool queimou sua garganta, descendo até o fundo da alma. Ela conteve as lágrimas que ameaçavam cair, dizendo silenciosamente para si mesma: "Que eu também seja livre."

Vinícius então tirou um documento e o colocou diante dela.

— Este é o contrato de transferência de ações. Estou passando cinquenta por cento da empresa para o seu nome. Considere isso a sua garantia.

Cristiane pegou o documento. Um sorriso amargo tocou seus lábios. Ela nunca quisera ações. Nunca fora isso que desejara.

De repente, a porta do restaurante se abriu e a secretária entrou apressada.

— Sr. Vinícius, a Srta. Jaqueline precisa falar com o senhor com urgência.

Vinícius lançou um rápido olhar para Cristiane antes de se levantar.

— A comida aqui é ótima. Aproveite.

Por mais requintados que fossem os pratos, comer sozinha tornava tudo insosso. Cristiane se levantou e deixou o salão. Ao passar diante de um dos salões privativos, ouviu a voz de Vinícius vindo de dentro.

— Jaque, desculpa. Tive que resolver algo de última hora. Já pedi os pratos, são todos os seus preferidos.

O olhar de Cristiane atravessou o vidro da porta. Seu corpo ficou completamente imóvel.

Os pratos dispostos na mesa do salão eram exatamente os mesmos que estavam na mesa dela momentos antes.

Então era assim. Ele já tinha preparado tudo para Jaqueline. O jantar com ela… Não passara de um gesto mecânico, uma formalidade vazia. A verdadeira refeição preparada com carinho naquela noite… Era esta.

Os dedos de Cristiane se enterraram na palma da mão com força, mas ela mal sentiu dor.

De dentro, Jaqueline respondeu em tom manhoso:

— Eu sei que você anda ocupado, meu amor… Mas hoje é o nosso aniversário de três anos. Mesmo que você chegasse de madrugada, eu esperaria.

Do lado de fora da porta, Cristiane mordeu o lábio com tanta força que quase o fez sangrar. As lágrimas jorraram sem controle.

Três anos. Eles estavam juntos havia três anos. E justamente há três anos… Foi quando Vinícius, pela primeira vez, pedira o divórcio a ela.

Um garçom carregando uma tigela de sopa fervendo passou ao lado dela. De repente, escorregou, e todo o líquido quente voou direto para o corpo de Cristiane.

— Ah!

Ela gritou quando a dor queimou sua pele delicada, que imediatamente ficou vermelha e inchada.

O garçom se apavorou:

— Me desculpe, me desculpe! Eu não fiz de propósito!

O barulho chamou a atenção de Jaqueline, que apareceu na porta do salão.

— O que está acontecendo?

Vinícius saiu logo atrás. Ao ver Cristiane, seus olhos se estreitaram levemente, como se algo o incomodasse.

O garçom, pálido, tentou se explicar gaguejando:

— Me desculpe… Eu escorreguei sem querer e acabei queimando a moça…

Instintivamente, Vinícius deu um passo à frente e segurou o braço de Cristiane, examinando-a com a testa franzida:

— Onde você se machucou? Foi grave? Deixe-me ver!

A preocupação repentina o fez esquecer, por um segundo, onde estava e com quem estava.

Jaqueline, ao lado, arregalou um pouco os olhos, surpresa:

— Vini… Vocês se conhecem?

A pergunta caiu como um balde de água fria sobre Vinícius. Ele recuou a mão bruscamente, como se tivesse tocado fogo. Virou-se para Jaqueline e puxou um sorriso leve, quase despreocupado:

— Como eu iria conhecer essa moça? Só fiquei nervoso ao ver que ela se machucou. Você sabe que eu não suporto ver alguém sofrer.

O coração de Cristiane falhou um compasso. Por um instante, foi como se o próprio tempo tivesse congelado.

Então, aos olhos dele… Ela não passava de uma estranha. Uma estranha digna apenas de sua bondade.

O garçom continuava a se desculpar sem parar:

— Senhorita, eu posso levá-la ao hospital agora mesmo para tratar o ferimento…

Cristiane ergueu o rosto e forçou um sorriso tranquilo, fingindo que nada doía:

— Não precisa. Foi só uma queimadura leve. Eu mesma cuido disso.

E saiu dali às pressas, quase fugindo. Mais um segundo naquele lugar… E toda a calma que ela fingia ainda ter desmoronaria por completo.
Sigue leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la APP
Explora y lee buenas novelas sin costo
Miles de novelas gratis en BueNovela. ¡Descarga y lee en cualquier momento!
Lee libros gratis en la app
Escanea el código para leer en la APP