DEVER E DESEJO

VÍCTOR COLLINS...

O cheiro e o gosto de Susan ainda estão nos meus lábios. É difícil não ceder, não tomá-la como antes. Ela me embriaga como um vinho forte, um vício do qual tento me livrar de qualquer custo.

Depois de um banho, o perfume dela desaparece da minha pele, mas minha mente não se livra tão fácil. O peso do que fiz com Mark ainda me incomoda, mas algo mais captura minha atenção: a forma como Lizzy se encolhe, segurando a mão.

O que essa garota tem? Por que me faz sentir tantas coisas ao mesmo tempo? Seu olhar ingênuo, as lágrimas deslizando pelo rosto... Meu coração b**e inquieto, e durante todo o caminho até o hospital, minha mente me trai.

"Ela não tem ninguém… Mas Mark está cuidando tão bem dela. Será que há algo entre eles? Ele dormiu com ela, é isso! Ele não estaria fazendo tudo isso sem querer algo em troca."

Assim que chego ao hospital, saio do carro e sigo direto para o elevador. Em poucos minutos, estou diante de Mark.

— O que você quer? Conferir de perto o que aquela vadia da sua ex fez? — Mark dispara, irritado.

— Não vim discutir. Você tem um voo em meia hora. O contrato é importante e só você pode assinar.

Ele passa a mão pelo rosto, claramente impaciente. Parece desconfortável, relutante.

— A mãe dela saiu da UTI e volta para casa amanhã. Dei minha palavra de que cuidaria delas, e vou cumprir! Já que a empresa é sua e eu me demiti, vá você.

Seus olhos brilham com um misto de raiva e desespero.

— Não seja infantil! Eu cuido dela e da mãe… Você se apaixonou por essa garota, e é meu dever, como seu irmão, protegê-la na sua ausência.

Espero sua confissão, mas ele nega.

— Você enlouqueceu, Victor! Eu não sinto nada por essa garota… não é nada do que está pensando!

Esfrega as mãos no rosto, cansado, confuso. Depois de um longo silêncio, ele cede e aceita a viagem de negócios. Apenas uma semana… Mas eu sei que será a semana mais longa da minha vida.

Horas depois, o médico leva Lizzy para o quarto. Minha missão começa.

— O que está fazendo aqui? Veio me demitir? — ela dispara, a voz carregada de irritação. — Eu nem toquei naquela vagabunda infeliz! Mas assim que sair daqui, vou precisar de outra cirurgia, porque vou arrebentar minha mão boa na cara daquela imbecil! E não me importo se ela é sua mulher!

Uma gargalhada escapa antes que eu possa conter. O rosto dela corou de raiva, e uma veia pulsa em sua testa.

— Ok, eu cuido da outra cirurgia… Só não entendo por que você não reagiu.

Ela me encara, confusa, a curiosidade estampada no olhar.

— Não deveria defender sua esposa? A mãe da sua filha?

Lizzy morde os lábios. Não percebo antes, mas esse gesto a deixa perigosamente sexy.

— Ela não é minha esposa. Não tenho nada com aquela mulher… E a criança é filha dela, não minha.

Um suspiro de cansaço escapa antes que eu perceba. Lizzy abaixa os olhos para minha boca, e um formigamento estranho percorre meu estômago.

— Você parece triste… Quer conversar?

— Não tenho nada para falar. Estou aqui porque prometi ao Mark que cuidaria de você e da sua mãe. Enquanto você estava na cirurgia, ligaram do hospital. Amanhã, ela terá alta.

Lizzy sorri, e algo dentro de mim muda. Como se um sol nascesse dentro do meu peito, dissipando a escuridão. Seu sorriso é contagiante, e, sem perceber, sorri junto.

— Que bom! Que notícia maravilhosa, senhor Collins! Minha mãe é tudo o que tenho nesta vida!

Ainda um pouco tonta, Lizzy desce da cama e caminha na minha direção. Tento me afastar, mas seu abraço me pega de surpresa.

— Obrigada! Eu tinha medo de perdê-la… obrigada por tudo! — sua voz sai trêmula.

Seu rosto colado ao meu faz sua respiração tocar minha pele. Minha mão segura firme em sua cintura, puxando-a ainda mais para perto.

— Senhor Collins… — ela murmura, apoiando uma das mãos no meu peito.

As coisas só pioram. Seus dedos finos deslizam entre os botões da minha camisa, roçando contra minha pele. Como uma criança curiosa, ela segue o toque até o meu pescoço, os olhos fixos nos meus.

Sua respiração acelerada, o leve tremor de seu corpo nos meus braços… Lizzy me deixa completamente hipnotizado. Sinto as batidas descompassadas do seu coração.

— Já matou sua curiosidade? — provoco, tentando recuperar o controle.

Ela engole seco, mas não desvia o olhar. O telefone toca, nos arrancando do momento.

— Que bom… minha mãe está bem!

— Com licença.

Me afasto para atender. Do outro lado da linha, minha mãe fala sem parar, mas eu mal escuto. Meus olhos continuam presos em Lizzy. Concordo com tudo sem prestar atenção e desligo.

— Onde está o senhor Mark?

Lizzy pergunta com um sorriso lindo. Sinto meu humor azedar instantaneamente. Por que quer saber dele? Por que está pensando nele?

— Ele precisou viajar a negócios. Volta em uma semana. Até lá, eu cuidarei de tudo… sua mãe e você estão sob minha responsabilidade.

Ela arregala os olhos, claramente surpresa.

— Não, senhor Collins, não precisa! Posso me virar sozinha, mesmo com uma mão só.

Cruzo os braços, analisando sua reação.

— Por que aceita ajuda do Mark e recusa a minha? O que te faz ter tanta raiva de alguém que mal conhece? Sou um homem igual a ele.

Ela morde os lábios e um sorriso travesso surge.

— O senhor é um homem… arrogante, prepotente e muito convencido. Diferente do senhor Mark, que até agora foi apenas educado e gentil.

Suas palavras me atingem como um golpe. Será que sou realmente esse homem tão frio?

Respiro fundo antes de responder:

— Se tivesse passado por tudo o que vivi, também seria arrogante, prepotente… e muito mais. É fácil julgar sem conhecer o passado de alguém.

Lizzy desvia o olhar, parecendo refletir.

— Me desculpe…

Dou um sorriso irônico e balanço a cabeça.

— Tudo bem. Já me acostumei a ver as pessoas fugirem de mim. Quanto ao Mark, já entendi seu interesse nele. Espero que sejam felizes.

Viro as costas e saio do quarto, sentindo meu rosto queimar como se estivesse em brasa.

Alguns minutos se passam e Renato aparece, acompanhado de Yasmin. Ela sorri e corre na minha direção com os braços abertos.

— Estranhei o senhor dizer que poderia vir, papai. Está sempre ocupado e... não importa, estou com saudades.

Ela se aconchega nos meus braços, buscando proteção. Yasmin segura minha camisa com força e não me solta.

Passo os braços em volta do seu corpo e a levanto. Ela se agarra ao meu pescoço e beija meu rosto. Um beijo inocente, que aquece meu coração de uma forma tão boa que sou obrigado a retribuir.

— Papai, eu te amo muito! Não precisa me abandonar também! Sei que o senhor e a mamãe não estão mais juntos... mas eu te amo!

Fico sem palavras. Meus olhos encontram os de Renato, que parece comovido. Ele se afasta, mas permanece por perto caso eu precise dele.

— Você não pode ficar aqui, estou cuidando de uma amiga!

— Pois quero ajudar e aproveitar para fazer amizade com ela! — Yasmin diz, abrindo a porta do quarto.

Lizzy deixa o telefone de lado e olha para Yasmin, encantada.

— Olá! Me chamo Yasmin e estou feliz em saber que, finalmente, meu pai se separou de vez da Susan! Ela é minha mãe biológica, mas nunca cuidou de mim. Já estava na hora do meu pai arrumar outra mamãe para ser minha amiga!

Corro para impedir que ela fale mais bobagens, mas Lizzy simplesmente a ajuda a se sentar ao seu lado, o que só piora a situação.

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