Luna sentiu o corpo reagir antes da mente.
Era sempre assim quando o sistema mudava de fase.
A análise manual não começava com perguntas diretas. Começava com pequenos deslocamentos na realidade — sutis demais para quem não estava acostumado a viver em estado de alerta. O primeiro deles foi o tempo.
Naquela manhã, tudo parecia atrasado. O relógio marcava 7h40 quando Luna terminou o café, mas seu corpo jurava que já passava das nove. O sol entrava pela janela em um ângulo estranho, como se o dia estivesse mal encaixado.
Ela vestiu uma blusa simples, prendeu o cabelo sem cuidado e ficou parada diante do espelho por alguns segundos a mais do que o necessário. Observou o próprio rosto, buscando sinais de desgaste excessivo.
Havia cansaço, sim. Mas havia algo mais perigoso: lucidez.
— Agora vocês colocaram gente nisso — murmurou.
Pessoas significavam interpretação. E interpretação significava poder.
O celular, que permanecera desligado durante a noite, foi ligado com cautela. Luna não quer