O silêncio nunca vinha sozinho.
Luna aprendeu isso cedo demais.
Naquela manhã, ele se instalou na casa como uma presença física — pesado, atento, quase respirando junto com ela. Não era a ausência de som. Era a suspensão dele. Como se o mundo estivesse segurando o ar, esperando que algo cedesse.
Ela abriu os olhos devagar, sentindo o corpo antes de se mover. O teto era o mesmo. As paredes também. Mas algo estava diferente. Sempre estava.
O sistema não atacava com violência direta. Não precisava. Ele era paciente. Meticuloso. Preferia o desgaste lento, o tipo de pressão que não deixa marcas visíveis, mas muda o jeito de alguém existir.
Luna se sentou na cama, os pés tocando o chão frio. O relógio marcava 6h12. Ela não lembrava de ter acordado. Apenas… estava acordada.
— Começou — murmurou para si mesma.
Na noite anterior, nada havia acontecido. Nenhum aviso. Nenhuma mensagem fora do padrão. Nenhuma falha aparente. Isso, por si só, já era suspeito. O sistema nunca ficava quieto por muit