A pressão deixou de ser abstrata ao amanhecer.
Luna percebeu antes mesmo de abrir os olhos. O corpo estava pesado, como se tivesse dormido sob vigilância. Os músculos doíam sem razão física, e a cabeça pulsava num ritmo lento, contínuo — não uma dor que exigia remédio, mas uma que exigia atenção.
Era o tipo de desconforto que não se resolvia ignorando.
Ela ficou alguns segundos deitada, observando o teto, respirando fundo. Aprendera, ao longo do tempo, que o primeiro erro em situações como aquela era reagir rápido demais. O sistema contava com impulsos. Com correções apressadas. Com explicações oferecidas antes mesmo de serem solicitadas.
Luna se levantou com calma deliberada.
Preparou o café sem música, sem celular, sem ruído externo. Cada gesto era intencional: o peso da xícara na mão, o vapor subindo lentamente, o som seco da colher tocando a porcelana. Pequenos ancoradouros de realidade.
Quando ligou o telefone, a diferença estava ali.
Não em explosões.
Em ausências.
Algumas notif