Capítulo 98 — O Erro Apontado

A pressão deixou de ser abstrata ao amanhecer.

Luna percebeu antes mesmo de abrir os olhos. O corpo estava pesado, como se tivesse dormido sob vigilância. Os músculos doíam sem razão física, e a cabeça pulsava num ritmo lento, contínuo — não uma dor que exigia remédio, mas uma que exigia atenção.

Era o tipo de desconforto que não se resolvia ignorando.

Ela ficou alguns segundos deitada, observando o teto, respirando fundo. Aprendera, ao longo do tempo, que o primeiro erro em situações como aquela era reagir rápido demais. O sistema contava com impulsos. Com correções apressadas. Com explicações oferecidas antes mesmo de serem solicitadas.

Luna se levantou com calma deliberada.

Preparou o café sem música, sem celular, sem ruído externo. Cada gesto era intencional: o peso da xícara na mão, o vapor subindo lentamente, o som seco da colher tocando a porcelana. Pequenos ancoradouros de realidade.

Quando ligou o telefone, a diferença estava ali.

Não em explosões.

Em ausências.

Algumas notif
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